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sábado, 7 de fevereiro de 2009

SEMEANDO A PALAVRA DE DEUS



Também, vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. I Pedro 2: 5

O Senhor da vida nos chama para um novo tempo. Um tempo de inspirações e aspirações que tecerão as linhas da manifestação do Reino de Deus. Aliás, é importante que afirmemos: O Reino de Deus é maior do que a igreja. Tenho visto muitas pessoas servirem a igreja e poucas servirem o Reino. Há, indubitavelmente, uma pequena, mas significativa diferença entre uma dimensão e outra. Entretanto, o Reino é sempre mais importante.
Se trabalharmos na igreja, seremos ativistas. Se trabalharmos para o Reino, faremos o serviço espiritual;
Se desejarmos o poder na igreja, nos lançaremos à politicagem. Se desejarmos o poder do Reino, nos consideraremos o menor, como uma criança;
Se sonharmos com as estruturas da igreja, seremos pífios. Se sonharmos com a dimensão do Reino, encheremos o nosso coração de esperança;
Se almejarmos novas vidas para a igreja, seremos prosélitos. Se almejarmos novas vidas para o Reino, seremos semeadores da Palavra;
Se nos consagrarmos para a igreja, seremos praticantes de boas obras. Se nos consagrarmos para o Reino, seremos arautos da boa nova;
Se orarmos somente na igreja, seremos modernos fariseus. Se orarmos na dimensão do Reino, o Senhor nos verá;
Se acreditarmos que o Senhor só age na igreja, seremos míopes em relação à fé. Se acreditarmos na ação do Senhor no Reino, veremos a glória de Deus;
Se somente a igreja nos motivar, seremos infelizes. Se a nossa motivação estiver no Reino, viveremos na certeza de que a alegria do Senhor é a nossa força;
Se crermos na essência da igreja, não passaremos de sinos que retinem. Se crermos no espírito do Reino, amaremos com o amor de Deus;
Se amarmos somente os que compõem a igreja, anularemos a comunhão. Se amarmos todos os que são acolhidos na dimensão do Reino, conheceremos o significado da graça;
Se olharmos somente para os problemas da igreja, ficaremos frustrados. Se olharmos para os problemas do Reino, nos tornaremos ativos com Deus;
Se adorarmos somente na igreja, seremos meros crentes. Se adorarmos na dimensão do Reino, adoraremos o Pai em Espírito e em Verdade;
Se edificarmos a igreja, sucumbiremos. Se edificarmos o Reino, amontoaremos tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não corroem;
Se dizimarmos para a manutenção da igreja, seremos simples depositantes. Se dizimarmos para a dimensão do Reino, celebraremos o amor de Deus, pois Deus ama a quem dá com alegria;
Poderíamos ampliar a nossa relação, mas sempre pensando: a igreja é bem menor que o REINO. E somente nesse contexto é que podemos entender o texto de Pedro. Ser um sacerdote santo e oferecer sacrifícios agradáveis a Deus só é possível na dimensão do Reino. Mas, e a igreja? Deixa de ter a sua importância? Ora, a igreja somente pode ser viva se estiver em acordo com o Reino. E é isso o que realmente importa.

Moisés Coppe.

Metodistas na barriga do grande peixe


“Vou sair da igreja onde congrego”; “Igreja X dividiu-se”; “tantos membros deixaram a igreja Y”; etc...
Divisões e evasões sempre foram para mim dores agudas. Já chorei, aconselhei, orei, preguei a fim de evitá-las dentro da denominação em que pastoreio e até fora dela.
Sempre fiz o esforço de ouvir os dissidentes e os remanescentes.
Na maoiria das vezes os motivos são os mesmos citados pelo apóstolo Paulo em 1 Co: ciúmes, invejas, brigas por espaços de “destaque” dentro da congregação – desde a ornamentação do altar, passando pela ministração do louvor até a administração financeira. Coisa de criança mesmo.
Sempre ouvi dos que ficaram – membros, pastores, superintendentes distritais e até bispos – aquela conclusão final bem “consoladora”: “saíram porque não eram metodistas de verdade”.
De dissidentes, independentemente da denominação, já vi até a tentativa da construção de uma “teologia da divisão”, baseada na separação entre Paulo e Barnabé em Atos dos Apóstolos.
O fato é que muitos podem ser os motivos justos e injustos de divisões e evasões.
Muitos metodistas têm permanecido na denominação por amor a Deus, ao Evangelho de Cristo e amor às pessoas. A unidade interna está, há algum tempo, em muitas igrejas locais, comprometida em termos de práticas dos sacramentos, ensino doutrinário, liturgia, política de nomeação pastoral, etc... Assim, podemos nos considerar artistas, porque conseguimos manter uma unidade dentro de uma diversidade que faria inveja a João Wesley!
O problema é quando as pessoas sentem que lhes está sendo tirado aquilo que as tem feito permanecer na igreja metodista, e que não é a história do metodismo, não é a doutrina, não é o tipo de governo, não são os documentos episcopais, e outras virtudes que a denominação considera ter, mas o Evangelho de Cristo Jesus.
Sim, o velho e simples Evangelho não é mais pregado, estudado, celebrado, orado, desejado, necessitado. Foi substuído por outro evangelho, que não é Evangelho, porque é destituído da Graça de Deus.
Esses e essas metodistas, privados do Evangelho na própria congregação, é que estão na “barriga do grande peixe”. Ou seja, estão espiritualmente deslocados onde congregam, mas ainda não foram para outro “lugar” ou “povo”.
As igrejas locais deveriam ser como a arca de Noé: feita segundo a instrução de Deus por aquele que achou graça diante do Senhor, que era justo e íntegro; possibilidade de sobrevivência no meio do caos; sinal da salvação que recria a humanidade.
Mas muitas igrejas locais preferem ser como o navio que ruma para Társis, “para longe da presença do Senhor” (Jn 1.3). Társis é uma grande aventura, fantasia, alienação. O navio está cheio de pagãos, cada qual com o deus que mais lhe agrada. Neste navio, a pessoa de fé em Deus é fugitiva desobediente. A presença dele/a traz sérios problemas para a “segurança”, “estabilidade” e “paz” dos passageiros. Lançá-la ao mar é o remédio! Bom para ela, porque, apesar de frustrar sua viagem, tira-a do caminho da alienação.
Eugene Peterson chama o navio de “barco religioso”. Dirigindo-se a pastores, escreve: “A maior parte do que passa por religião nada tem a ver com o Evangelho. A maior parte do que passa por religião é idolatria. A maior parte do que passa por religião é autopromoção. É urgente e imperioso que os pastores façam distinção entre a religião cultural e o Evangelho cristão. No meio de uma grande tempestade no mar, Jonas aprendeu a diferença”. (À sombra da planta imprevisível, p 39.)
Estou na “barriga do grande peixe” há algum tempo. Sou solidário a todos que “foram lançados”, que “se lançaram” ou estão “se lançando” ao mar e vindo direto pra cá. Sim, porque Deus, em sua misericórdia, não nos deixa a mercer de ventos e ondas.
Sejam bem-vindos! Aqui, na “barriga do grande peixe”(Jn 2.1-9), é o início da nossa salvação!
Este não é o “lugar” onde você deseja estar, mas é necessário devido aos acontecimentos anteriores.
Este “lugar” é de oração. Oração em grito e angústia, mas oração ouvida por Deus.
Este “lugar” leva você para “viagem” ao que é profundo, desconhecido, até se encontrar lançado diante Daquele que tudo vê, tudo conhece, sem saber se vai sair vivo/a dali.
Este “lugar” é próprio para você “morrer” e experimentar Deus “subir da sepultura” a sua vida.
Neste “lugar” você fará a distinção entre Deus e idolatria.
Neste “lugar” você vai louvar sem que ninguém veja seus gestos, ouça sua voz, senão o próprio Deus: “Ao Senhor pertence a salvação!”
Quanto tempo você vai passar na “barriga do grande peixe”? O tempo não importa. O que importa é Deus! Tudo é com Ele.


Maurício Ramaldes
São Paulo, 2/2/2009.