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terça-feira, 21 de abril de 2009

O Professor está sempre errado

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor! (Jó Soares)


É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém o escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.
É! o professor está sempre errado, mas, se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

(fonte - Revista do Professor de Matemática, número 36,1998).

O CHOQUE DAS DEFINIÇÕES



No artigo: “O Choque das Civilizações”, escrito e editado em uma revista que discute palestras externas intitulada: “Foreign Affair”, Samuel Huntington aponta que os conflitos políticos dar-se-ão de forma ideológica, dicotomizando civilizações ocidental e oriental. Segundo Edward Said (1935-2003), tal apontamento ressuscita a memória da Guerra Fria, logicamente, com nova roupagem. Mas a questão intrínseca na proposição de Huntington é de que há uma cultura e civilização superior à outra. No caso, Huntington evidencia que o ocidente, idealizado pelos EUA precisa ressaltar as diferenças presentes no Islã; apoiar os países que são simpáticos ao ocidente e promover conflitos entre países, que mesmo sendo islamitas, possuem suas diferenças.
Ora, Huntington qualifica sua tese na concepção nós e eles. Tal postura etnocentrista desconsiderava a pluralidade e diversidade presente neste “planeta cada vez mais apertado”. Percebe-se nitidamente, na citação: “As fronteiras do Islã são sangrentas, como também o são suas entranhas”, que Huntington faz questão de esboçar preconceituosamente o perfil do Islã – violento, sangrento, bojudo. E se assim o faz, é porque considera sua própria civilização o oposto, a saber, um exemplo a ser seguido por todas as demais civilizações, principalmente orientais.
Entretanto, Edward Said se opõe a toda a argumentação de Huntington. Segundo Said, o que pode dar direito a esta ou aquela civilização de estabelecer valores, princípios, modos de condutas, cultura, religião ou estilos sociais?
Ora, Said aponta que toda construção histórica é evidenciada por alguém com um objetivo claro. Tais relatos e narrativas estruturam tradições dando desfechos apoteóticos aos heróis e demonizando o inimigo. Ironicamente, Said critica Huntington por entendê-lo poético e emocional. Tal argumentação fica evidente na citação acima descrita.
Said evidencia também que Huntington, com sua tese, não coopera para o encontro entre as civilizações, mas ao contrário, incita e fomenta o conflito. O problema não tange a refletir sobre mônadas culturais, mas perceber que a compreensão de si passa necessariamente pela compreensão do outro. Trata-se, outrossim, de perceber que não existem blocos monolíticos, embora muitos ainda insistam em exaltá-los.
Aliás, Said evidencia que nos EUA, movimentos populares querem a mudança da história, e que a mesma inclua os escravos, criados e pobres imigrantes na oficialidade. E o que dizer do artigo: “Atenas negra”, citado por ele que revela uma Grécia diferente da concebida pelos livros de história e pelo ocidente – formada por negros, semitas e, posteriormente, setentrionais. É preciso ver com outros olhos as historiografias, pois todas as culturas e civilizações tomam parte naquilo que Clifford Geertz chamaria de “colagem”.
Por fim, Edward Said aponta que o posicionamento de Huntington é preconceituoso. Favorece a sua própria nação em detrimento das outras.
Citando Aimé Césaire (1913 – 2008) – poeta e político francês, ideólogo do conceito de negritude – Said assim finaliza seu artigo:

"Mas a obra do homem está apenas começando e resta ao homem conquistar toda a violência entrincheirada nos recessos de sua paixão.
E nenhuma raça possui o monopólio da beleza, da inteligência, da força, e há lugar para todos no encontro da vitória
".

Nosso desafio, portanto, é o de entender as diferenças culturais, aceitar o princípio de liberdade entre todos os povos, visando a harmonização do mundo.

Resumo do artigo de Said
de mesmo título.
Preparado por Moisés Coppe

Muitos "sems" e o Fundamental

Muito se estuda, se fala , se prega e se escreve sobre “igreja” no meio evangélico nos nossos dias. Aliás, fala-se mais sobre “igreja” do que de Jesus Cristo, de Deus e do Espírito Santo. A Trindade só ocupa lugar nas falas e nos escritos quando está a serviço da “igreja”, ou seja, o Senhor tornou-se refém daquela que deveria ser serva.
Nós, evangélicos brasileiros, somos tão católicos quanto os católicos na sua relação com a “igreja”, pois colocamo-na no centro da vida de tal sorte que para muitos “fora da igreja não há salvação”. A diferença é que os católicos creem assim mesmo, apesar da maioria não “seguir” o que a Igreja Católica orienta; e nós dizemos não crer assim, mas a maioria “segue” o que as “igrejas” ordenam. Mais que isso: muitos de nós vivemos de tal forma que, se alguém nos tirasse o que entendemos e vivemos como sendo “igreja”, perderíamos a fé.
Fico imaginando se pudéssemos passar um dia conversando com o Jesus dos evangelhos. Sinceramente acho que Ele diria: “Vocês criaram isso que chamam de ‘Igreja’! Eu vivi e proclamei o Reino de Deus, que já está entre os que me seguem, sobre os que me seguem, dentro dos que me seguem. Um Reino inabalável e sem visível aparência. Quando os que me seguem se reúnem em meu nome para adorarem ao Pai, a mim, ao Espírito, para nos ouvirem, comerem o pão e o beberem o vinho, como irmãos-seguidores meus, isso é igreja! Só isso! No mais, vivam e proclaram as boas novas que vocês encontraram em mim!”
O que muitos de nós faríamos sem templo, sem bispo, sem pastor, sem padre, sem presbítero, sem diácono, sem patrimômio, sem ministério de administração, sem tesouraria, sem ministério de louvor, sem instrumentos musicais, sem coral, sem altar, sem púlpito, sem escola dominical, sem culto de oração, sem reuniões ministeriais, sem atas, sem estatísticas, sem relatórios? Quanto de nossas orações, tempo e saúde temos empregado em tudo isso? De tudo isso, o que levaremos para eternidade?
E como seríamos se vivêssemos no Reino, sob o Reino, cheios do Reino? E nos reuníssemos para adorar e ouvir a Trindade? E vivêssemos juntos, no mundo, de tal forma que nossa vida fosse uma proclamação de que Deus está entre nós? Quanto de nossas orações, tempo e saúde temos empregado nisso? E disso, o que levaremos para eternidade?
Já paramos para pensar se existem seguidores de Jesus Cristo vivendo com todos os “sems” acima citados – ou outros mais? Se existem, onde estarão eles/as?
Para meditar: Lucas 10.38-42.

Maurício Ramaldes.
São Paulo, 5/4/2009.