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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu caminho para Brasília

Tomei emprestada a ditosa frase de JK que dá nome à sua autobiografia para salientar o título desta crônica e pontuar alguns pormenores sobre a primeira vez que fui a Brasília.
Eu acho que todo brasileiro deve, no mínimo, conhecer a capital federal. Confesso aos leitores que fiquei pasmo ao contemplar toda uma cidade movimentada pelo poder - este instrumento relacional efêmero.
Além de algumas considerações, vou também expor algumas fotos particulares. É minha intenção partilhar algumas opiniões, alguns pontos de vista.

"Em frente ao palácio da alvorada"

A viagem ocorreu em setembro de 2008. De antemão, agradeço aos irmãos Martinho Lutero, Janice e Lúcio Flávio pela acolhida, bem como à igreja metodista Asa Norte em BSB.



Preciso confessar que nos preparativos, era grande a ansiedade para conhecer a referida cidade.


À tarde, andei pela avenida principal do plano piloto e conheci a belíssima Catedral Metropolitana Nossa Senhora de Aparecida, mais conhecida como Catedral Metroolitana de Brasília, inaugurada em 31 de maio de 1971. Ela foi projetada por Niemeyer.

Seu interior também é delicadamente projetado, dando singeleza e conotando certa espiritualidade no ar.

Continua...

QUERO A EXPERIÊNCIA DIVINA DE SER HUMANO


Se pudesse perguntar a Deus sobre qual teria sido a sua maior experiência como ser espiritual, acho que Ele me responderia: “Foi a de ser como um humano”. Se atentarmos para essa resposta, à princípio poderemos até ficar perplexos, mas em uma segunda análise, chegaremos à conclusão de que, sem dúvida, a maior experiência de Deus foi a encarnação. O evangelista João, por exemplo, atesta no primeiro capítulo do seu evangelho que o verbo que estava com Deus se fez carne e armou tenda entre nós (João 1: 14). Ora, sei das complexidades teológicas que envolvem as argumentações e discussões sobre o tema da encarnação. Sei, também, que este dogma foi transformado em puro discurso segundo interesses escusos, mas é indiscutível que na vivência de Emanuel, Deus se fez como um de nós.
As vezes, fico decepcionado com os projetos de espiritualidade que ocorrem na dimensão eclesiástica. São projetos que acabam desconectando o ser humano da sua realidade vivencial, bem como do seu chão, lançando-o em uma espécie de sincretismo emocional. O crente deixa de ser gente. Acho que isso é um grande golpe sobre a vida de homens e mulheres que buscam, sinceramente, a presença de Deus e almejam ser melhores. Vejo que as pessoas, imbuídas por sua busca pessoal de Deus, muitas vezes são enganadas, pois há muita demagogia nas instituições religiosas. Tenho verdadeira ojeriza desse tipo de perspectiva que expõe pessoas transformando-as em mero objeto de interesse estrutural.
Quero, na contramão do que me dizem ou fazem-me, assumir as minhas contradições e imperfeições. Quero viver a vida como ela é, evidenciando-me como realmente sou. Quero ser passional e experimentar as sensações extremadas do prazer. Quero a liberdade e a pipa empinada ao sabor do vento. Quero a ansiedade e o chocolate meio amargo. Quero a angústia e o travesseiro acolhedor na calada da noite. Quero tudo o que me faz mais humano, pois não almejo ser uma pessoa desconectada da realidade. Assim, ouvirei as músicas que alimentam a alma e encantam-me. Chorarei, deixando as lágrimas rolarem por pura emoção. Quem sabe, ainda, lançar um grito insano no espaço aberto do tempo sem dar satisfação a ninguém. Talvez assim, seja menos ético e mais afeito ao inusitado e improvável.
Quero, enfim, mostrar às pessoas que viver é uma aventura perigosa na qual não se pode titubear. Mas se porventura alguém titubear, tem problema não. Damos um jeito e recriamos as situações da vida. Isso, se Deus estiver conosco, lógico. E assim, quanto mais humano eu for, mais perto de Deus estarei. Se estivermos juntos na caminhada, estaremos também mais perto da sua maior experiência como ser espiritual. E isso, por certo, nos basta.