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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Dignidade da Indignação

Acho que não dá mais pra sermos tolerantes com as estruturas espoliantes que invadiram as igrejas chamadas históricas. Eu confesso ter chegado ao meu limite de reflexão. Sinto-me um prostituto com crises de consciência dentro de um bordel místico. No passado, não fui convidado ou "vocacionado" para ser um prostituto. Acreditava, piamente, que o empreendimento ao qual iria devotar minha vida e família era dos mais coerentes possíveis. Ora, eu esperava servir a Deus e somente a ele. Sentia-me "chamado" a um ministério responsável pela formação e espiritualidade das pessoas.
Sabe aquela história de jovens sonhadoras que são convidadas para trabalho junto a importantes agências de modelos na Europa e que depois se descobrem vítimas de um golpe, sujeitando-se, posteriormente, ao papel de go go girl? Acho que coisa similar me aconteceu. Me sinto participante de uma esfera louca de prostituição sagrada. Não quero sê-lo. Muitas vezes tenho nojo de mim mesmo.
E você, prezado leitor, poderia me perguntar: o que lhe segura? E eu respondo com perplexidade: os amigos. A razão de estar na igreja a qual faço parte, hoje, está ligada diretamente aos amigos. Como posso abandoná-los? Como posso deixar pra trás os sonhos de outrora? E quanto às pessoas que acreditam, ainda, em uma espiritualidade sadia? O que será delas?
Aqui está o entroncamento da minha crise.
Por mim, pessoalmente, daria uma vistosa e nada suculenta "banana" para essa estrutura idiota que poderíamos cognominar "transposição eclesiástica", que se assume autárquica, ditadora e maldita.
Não quero mais coisas como regional, distrital e local. Quero as pessoas. Na minha insignificância olho com desdém todas essas mediocridades feitas em nome de algum deus desconhecido daquele que se revela no texto sagrado. Mas então, que deus tem sido pregado por aí? Indubitavelmente, Mamom!
Meu caro leitor, cansei de ser bonzinho. Cansei de ser o garoto crente que se coloca à disposição para "servir".
Como disse Darcy Ribeiro: "Nós, na América Latina, só podemos ser indignados ou resignados. E eu não vou me resignar nunca".
E que essa indignação nos leve a uma mudança radical. Que não me sobre coisa alguma, senão a dignidade da indignação.