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sexta-feira, 18 de junho de 2010

O assassinato da advogada

Recentemente, a mídia nos impactou com a notícia do assassinato da advogada Mércia Nakashima, de 28 anos, desaparecida desde o dia 23 de maio, quando saiu de um almoço com a família. A polícia investiga o caso e já possui suspeitas de que várias pessoas participaram do assassinato. O Honda Fit, de propriedade da advogada, foi encontrado junto ao seu corpo, no fundo de uma represa na cidade de Nazaré Paulista, localizada a 64 km de São Paulo.
O principal suspeito é o ex-namorado e ex-sócio, Mizael Bispo de Souza, de 40 anos. Ele negou a participação, mas ao que aprece, trata-se de mais um crime passional. A situação continuará a ser investigada enquanto a sociedade aguarda um desfecho para este caso.
Mas o que tem a ver esse assassinato com a nossa igreja e fé?
De antemão, quero afirmar que, vez por outra, a mídia destaca um ícone para ser noticiado. Entretanto o problema da violência contra a mulher é paradoxalmente evidente aos nossos olhos e silencioso em nossos sentimentos. Só para termos uma idéia da questão que estamos propondo, o Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA aponta-nos dados estatísticos que nos levam e perceber de forma mais nítida esse grave problema social. Cerca de 33% das mulheres brasileiras afirmam terem sofrido violência física, emocional ou psíquica em algum estágio da vida. Isso é tão verdadeiro que acredito que metade das pessoas que são membros e membras de nossa igreja conhecem alguma mulher que foi agredida de forma afrontosa. Então, como podemos perceber, muitas mulheres são vitimadas por pessoas próximas e acabam se encolhendo socialmente.
Ora, a questão da violência contra a mulher não é nova. A Bíblia relata vários casos em que a mulher foi violentada, como por exemplo: Sara, Agar, Rute, Bate-Seba, Sunamita, Maria entre outras. Isso ocorria porque a mulher era uma espécie de objeto para a procriação. A cultura patriarcal e machista sempre trouxe uma evidência para o homem em detrimento da mulher. É importante lembrar que Jesus procurou restaurar a dignidade feminina com seus gestos, palavras e ações, como no caso da mulher samaritana junto ao poço de Jacó.
Acho que precisamos investir em atitudes e ações evangelizadoras que possuam teor profético. Eu não consigo mais pregar o evangelho sem um enfrentamento das questões e dilemas que essa sociedade impõe. O evangelho que precisamos pregar não pode se configurar como uma proposta para o “além-vida”. Deve ser o posicionamento de palavras e ações que motivem a nossa comunidade a agir de forma contundente contra toda e qualquer espécie de violência. Em primeiro plano, a violência contra mulher. Em segundo plano, violência contra a vida.
A morte de Mércia Nakashima não é a única morte que aconteceu nos últimos dias. Mas ela nos remete a múltiplas reflexões sobre o nosso papel como igreja. E aqui cabe uma outra consideração: é certo que não vamos resolver todos os problemas do mundo, tampouco da nossa cidade, mas de uma forma concreta podemos resolver aqueles que têm a ver com a nossa comunidade de fé.
Para ser bem prático, quero desafiar os homens a tratarem as suas mulheres com mais carinho e atenção. Quero desafiá-los também a demonstrarem em gestos concretos o valor de cada mulher, não em uma perspectiva piegas, mas sim amorosa.
Se nós que somos conhecidos pelo nome de cristãos não tratamos as nossas mulheres com relações amáveis e afáveis, então nosso cristianismo não passa de adereço.
Assim, me solidarizo com a família de Mércia, e me comprometo com as mulheres que conheço, dizendo: não à violência contra a mulher.