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segunda-feira, 12 de julho de 2010

ESPIRITUALIDADE NO CAMINHO

O progresso de uma civilização se mede pelo aumento da sensibilidade para com o outro”.
Teilhard de Chardin

O marco referencial que parte de uma espiritualidade inserida no caminho da vida parte da busca pela formação integral do ser humano. Sem excetuar os valores cristãos, geradores por certo de uma nova possibilidade de vida e inserção na sociedade, a forma wesleyana de conceber a espiritualidade sempre buscou os mais amplos ideais morais para a vida humana.
Não se quer ter uma visão ufanista dessa forma wesleyana, entretanto não se pode negar, ao longo dos anos, que os princípios de caracterização do novo ser, bem como a construção do caráter baseado em princípios cristãos universais ligados tangencialmente aos ideais do evangelho sempre se constituíram em força motriz nos propósitos da restauração da “imago Dei”.
Nessa mesma linha de pensamento, ou seja, na busca pelo novo ser, Hugo Assmann e Jung Mo Sung no livro co-escrito: “Competência e sensibilidade solidária” apontam para a necessidade de negar o olhar para os valores da cultura dominante e ver o que ainda não pode ser visto pela força interior do desejo. Dessa forma, criando um horizonte de esperança e utopia,

"que ainda não existe e que talvez nunca venha a existir, mas que dá um sentido às ações que nascem do nosso desejo de um mundo melhor. Este horizonte de utopia e esperança nasce juntamente com este desejo de vivenciar a sensibilidade solidária para além das relações pessoais, ou em um pequeno grupo, o desejo de que toda a sociedade, toda a realidade seja invadida e ‘grávida’ desta solidariedade mais genuína. E é este horizonte utópico que alimenta este desejo e dá sentido a esta sensibilidade solidária” [ASSMANN & SUNG, 134 E 135].

A consideração de Assmann e Sung sugere a possibilidade de sinalização de um novo tempo, um novo mundo. Logicamente, é a partir de um projeto de salvação integrada que tal tarefa chegará a vingar de forma efetiva e construtiva. As novas possibilidades históricas remetem o ser humano a uma re-situação e re-consideração da visão de mundo, de onde decorre uma inegável correlação entre ecumenismo, economia e ecologia. O prefixo destas palavras é o mesmo. Refere-se à palavra grega oikos, que se caracteriza, de forma incipiente, como casa.
Não se pode perder de vistas a idéia wesleyana de que na Igreja e por meio da ação de Deus nela, são retomadas as esperanças de renovação do agir de Deus em favor das pessoas e da vida. É nesse contexto carregado de esperanças que a salvação integral, bem como a restauração da “casa de Deus” no ser humano e no cosmos fortalecem-se. A busca por uma ética mundial, centrada na fé em Cristo e no estabelecimento de uma experiência relacional com Deus é, indubitavelmente, o aspecto a ser buscado. O Senhor nos ajude nessa tarefa.