Pages

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Será que sou realmente um cristão?

Li recentemente um texto do filósofo Bertrand Russel onde ele apontava as razões pelas quais não se professava cristão. Toda a sua argumentação parte de perguntas filosóficas de alto gabarito teórico. No que se refere à área de Bíblia, deixa a desejar.
Entretanto, independente das críticas que eu poderia ressaltar nesse sucinto artigo, principalmente no que se refere à área de interpretação da Bíblia, foram contundentes suas perguntas e argumentações sobre o que realmente significa ser cristão.
Confesso aos leitores que fiquei estarrecido e em crise existencial. Isso aconteceu porque percebi que ele tinha razão. Eu não consigo fazer coisa alguma do que o evangelho, nas palavras de Jesus, me manda fazer.
Por exemplo, quando Jesus disse ao jovem rico: "Vai vende tudo o que tens e dá aos pobres", ele estava partilhando um princípio ético e moral que tem a ver com o senso de justiça. Eu coro de vergonha toda vez que leio este texto, pois se eu estivesse no lugar daquele jovem, acho que tomaria a mesma atitude, ou seja, cabisbaixo e entristecido, cairia fora. E aquela outra lógica que me conclama a amar os meus inimigos. Às vezes tem sido difícil amar os da minha casa, quanto mais os meus inimigos.
Então, diante dessas e de outras questões fui refletindo... refletindo e me perguntei seriamente: Serei eu realmente um cristão?
Ora, meu cristianismo é bacana: muitas conquistas de foro relacional.
Meu cristianismo pouco se dedica aos pobres.
Meu cristianismo tem carro enquanto vejo gente que não tem, sequer, acesso ao transporte público.
Meu cristianimo tem conta bancária e uns poucos trocados pra gastar com bobagens.
Meu cristianismo fica contando os dias para as férias com o intuito de viajar.
Meu cristianismo se concretiza no culto, dominicalmente.
Meu cristianismo tem muito ritual.
Meu cristianismo curte um louvor da hora.
Meu cristianismo pede muita coisa pessoal, e pouca solidariedade.
Meu cristianismo chora quando fecha os olhos.
Meu cristianismo pouco se importa com a justiça.
Meu cristianismo tem Bíblia e pouca Palavra de Deus.
Enfim, para que a lista não fique interminável, meu cristianismo tem muito blá blá blá e pouca ação.
Às vezes, me pergunto sobre por que não simplificar? Por que manter fachadas e estruturas que nada tem a ver com a contigência da vida?
Eu não tenho respostas, mas confesso desejoso de mudar toda essa história.
Quero ser mais real naquilo que chamo de cristianismo. Pelo menos, nas mínimas coisas quero ser mais parecido com Jesus.
Por enquanto, diante dessa inquitação lancinate, volta a pergunta: será que sou realmente cristão?