Pages

sábado, 2 de outubro de 2010

ELEIÇÕES 2010 – VOTO E LIBERDADADE

Neste domingo, dia 03 de outubro de 2010, paradoxalmente, votamos pela democracia. Digo paradoxalmente porque, se realmente vivêssemos em uma democracia, o voto não seria obrigatório. Independente das questões reflexivas que poderíamos suscitar sobre esse valor universal chamado democracia, o importante é que participamos de um pleito que tem possibilidades de melhorar a dimensão de vida social no Estado. Pelo menos esse é o nosso intento.
Nessa perspectiva de melhoria dos nossos anseios sociais, venho propor uma reflexão oriunda do pensamento do filósofo florentino Nicolau Maquiavel que escreveu a clássica obra “O Príncipe” entre os anos de 1513 e 1516. A obra de Maquiavel evidencia, pela primeira vez na história, o desenvolvimento da política como ela realmente é. Ao contrário dos antigos escritos gregos ou mesmo dos posicionamentos dos pensadores da cristandade, Maquiavel revelou a política em sua configuração nua e crua. Decorreu dessa sua leitura detida o adjetivo “maquiavélico” para designar ações escusas e impróprias para aqueles que almejam o poder em qualquer de suas esferas. Entretanto, o uso desse adjetivo para situações equivocadas é uma injustiça à Maquiavel. A máxima que lhe é atribuída, de que os fins justificam os meios, não pode ser vista como proposição do seu pensamento, mas como leitura de uma situação dada à priori. Por exemplo, vou citar uma de suas frases com o intuito de melhor clarificar essa constatação.
Maquiavel disse: “Há ainda duas maneiras de um cidadão comum tornar-se príncipe, quando não se pode atribuir tudo a sorte ou valor. Não quero deixa-los para trás, apesar de que um deles possa ser melhor discutido ao se falar de república. Trata-se de quando, por atos maus ou nefandos, chega-se ao principado, ou quando um cidadão comum, com o favor de outros cidadãos, torna-se príncipe de sua pátria”.
Nessa citação, visualizamos nas entrelinhas os conceitos de virtú e fortuna. Não me aterei a apresentar suas recíprocas definições mais entranhadas senão situar que virtú e fortuna têm a ver com competência e sorte. Ora, o poder pode ser conquistado em uma dessas duas perspectivas. O que mais me importa nessa citação de Maquiavel é considerar que no cenário político atual temos bons candidatos com boas propostas, mas, infelizmente, péssimos candidatos com péssimas propostas, e ainda bons candidatos com propostas ruins. Independente do candidato ou de suas propostas, torna-se importante, em nossa condição de cidadãos, votar com consciência e liberdade. É digno votar com a certeza de que se está contribuindo com um sistema um pouco mais humanizado. Pelo menos, é isso o que se espera de cidadãos comprometidos com as pessoas de suas comunidades, principalmente os chamados cristãos. Dito isso, importa afirmar que pessoa alguma deve votar por coação ou porque este ou aquele candidato defende esta ou aquela fé. Por exemplo, ao abordar uma pessoa que estava trabalhando no caixa de um supermercado, perguntei-a: - Você vai votar em quem? Ela me respondeu: - Em ninguém. Aliás, vou votar no meu pastor! Fiquei estupefato. Sentimentos díspares de raiva e compaixão se imbricaram em mim, mas ao final vaticinei: - Fazer o quê? Mas contrariando meu vaticínio, volto a me manifestar pelo voto consciente.
Eu não tenho nenhuma ilusão em relação a este ou aquele candidato, pois tenho clareza de que as engrenagens do sistema político são complexas e estranhas à ética. Nosso sistema politica é regido pelo sistema econômico. Dessa forma, mesmo que um político eleito tenha as melhores intenções, os desafios da manutenção de sua ética serão, por demais, difíceis de serem mantidos. Quem manda, ao final das contas é Mamon. Quem não se lembra da decisão de Collor e sua equipe econômica em confiscar a poupança da população brasileira em 16 de março de 1990? Um verdadeiro golpe à boa fé brasileira. Lembremo-nos que um dos apoios mais preponderantes para a eleição de Collor foi dado pela Igreja Universal do Reino de Deus em troca de “coisinhas”, segundo a lógica “Tudo isso te darei se prostrado me adorares”.
De qualquer forma, é preciso ter a consciência transparente. Vamos fazer a nossa parte da forma como nos pudermos. No final, vale o fato de termos tentado