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sexta-feira, 18 de março de 2011

Travessia, Travessa e Travessuras - uma crônica sobre o primeiro culto oficial da "nova" comunidade em Belém do Pará


O poeta Milton Nascimento lançou em 1967 a música Travessia. Excetuando-se os dramas de ordem existencial presentes na letra da música, o estribilho assim se expressa: Solto a voz nas estradas, já não quero parar. Meu caminho é de pedras, como posso sonhar? Sonho feito de brisa, vento vem terminar. Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar.
Não sei porque cargas d´água, enquanto me dirigia ao encontro dos irmãos e irmãs de Belém, na nova comunidade de fé, localizada à Travessa Três de Maio, veio-me a mente essa canção do referido poeta mineiro. Num piscar de olhos, entretanto, cheguei à conclusão de que, na verdade, a memória, esse palácio brilhante e cheio de informações - conforme definição de Agostinho em suas Confissões - fazia suas conexões intensas e emaranhadas sobre os caminhos e descaminhos da vida. Em outras palavras, se estabeleciam e se conectavam a Travessia, a Travessa, e as Travessuras neste novo momento. A emoção tomou conta do ser...


Me vi atravessando a travessia travessa e percebi que não estava só. Muitos outros travessos estavam comigo, conosco.
Nessa travessia travessa encontrei pessoas, gente como a gente que quer viver, tão somente, a singularidade do Evangelho.

Realmente, há sabores e saberes em Belém. Plenitudes mistagógicas que precisam ser reveladas. É um outro Brasil com cara de brasis.
Dentre todos os sublimes momentos ali vivenciados, entremeados de visitas, conversas e comida típica, celebramos a Ceia do Senhor, num momento de culto, onde rememoramos a vida e acolhemos a Palavra de Deus com alegria, temor e tremor. As palavras seriam poucas para expressar os sentimentos.


Bem, sucintamente é isso.
Com o anelo de que as metáforas aqui apresentadas revelem pelo menos um pouco do muito experienciado, quero convidar todos(as) a continuarem se esmerando nessa travessia. Por isso, também resolvi partilhar com todos(as) algumas imagens fortes de um metodismo que, teimoso, insiste em sobreviver frente aos novos ventos de doutrinas.
Assim, a travessia travessa de múltiplos confessantes continua e ela será contada e cantada por muitos. Isso acontecerá porque, ao final das contas, quem criou essa travessia travessa foi aquele que nós conhecemos como Senhor da Vida. Assim cremos. A Ele, todo louvor.


Moisés Coppe.