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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carta Aberta aos Membros da IMBA

“Metodista é quem tem o amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito Santo que lhe foi dado; quem ama o Senhor seu Deus com todo seu coração com toda a sua alma e com toda a sua mente e com todas as suas forças. Deus é a alegria em seu coração e desejo de sua alma, que clama constantemente: “A quem tenho no céu senão a Ti? Fora de ti não desejo nada na terra! Meu Deus e meu tudo. Tu és a rocha em meu coração e minha porção para sempre!”. (John Wesley. Obras. Tomo V, p. 19.)

Introdução
Indubitavelmente, o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A marca do amor é uma marca metodista, e é ele que nos constrange a abnegação dos prazeres deste mundo no qual estamos inseridos para, na concretude dos dias, vivenciar a realidade cotidiana do amor humilde diante das pessoas. Por isso, podemos afirmar, categoricamente, que participamos do propósito de Deus para a salvação do mundo, pela dedicação amorosa e por intermédio das regras gerais que assim rezam: 1. Não praticar o mal. 2. Zelosamente, praticar o bem. 3. Atender às ordenanças de Deus. “Fundamentada nesses princípios, a Igreja confia que os metodistas preservem a sua tradição e continuem a ser reconhecidos como pessoas de vida regrada. Os metodistas são: moderados nos divertimentos; modestos no trajar; abstêmios do álcool como bebida; empenhados no combate aos vícios; observadores do Dia do Senhor, especialmente dedicado ao culto público, ao cultivo espiritual, pelo estudo da Bíblia, e ao descanso físico; observadores dos princípios da Igreja e dos meios de graça que ela oferece, participando dos ofícios divinos e da Ceia do Senhor; praticantes do jejum e da oração individual e em família; honestos em negócios; fraternais nas relações de uns com os outros; tolerantes e respeitadores das ideias e opiniões alheias; praticantes de boas obras; benfeitores dos necessitados; defensores dos oprimidos; promotores de instrução secular e religiosa; e operosos na obra de evangelização”. (Conf. Cânones, p. 48). Essas marcas metodistas se caracterizam como evidentes sinais de uma ética de responsabilidade, para usar aqui uma linguagem weberiana, a ser empenhada no cotidiano, visando, tão somente, o anúncio de um projeto de salvação que tenha por objetivo a libertação da pessoa das amarras do mundo moderno. Aliás, a dimensão da salvação é o tônus maior que nos lança aos princípios basilares da fé cristã. Como Igreja do Senhor, sinalizamos a salvação a tempo ou fora de tempo, como uma irrupção do presente visando uma vida abundante em Jesus Cristo, realidade última.
Com essas palavras iniciais, essencialmente bíblicas, pastorais e metodistas, apresento a todos os irmãos e irmãs algumas constatações oriundas desse tempo de convivência amistosa, visando a partilha de opiniões, oriundas deste momento singular em que estamos posicionando a nossa fé, e refletindo sobre o novo tempo que se abre para cada um de nós. O objetivo mais específico deste documento é proporcionar uma agenda para os anos vindouros com a finalidade de recriação da Igreja, marcada pelos dons e ministérios e por uma vivência alternativa para a realidade atual.

Sucinto Histórico
Há três anos, tenho tido o privilégio de pastorear esta comunidade com temor e tremor. Desenvolvi meu ministério nesses anos enfatizando quatro práticas pastorais: pregação, ensino, discipulado e visitas. No decorrer desses anos, vivenciamos diversas experiências significativas que marcaram nossa vida, chão e missão. Dentre elas, destaco: intercâmbios com as Igrejas Metodistas de Botafogo – RJ e Goiabeiras – ES; série de conferências com os pastores Antônio Carlos Ferrarezi, Ewander Ferreira de Macedo, Ronan Boechat, Márcio Abreu de Freitas e os bispos Nelson Luiz Campos Leite, Mariza de Freitas, Roberto Alves de Souza; acampamento em Nova Almeida;
Ao longo desse período também tive a oportunidade de participar da Coordenação Regional de Ação Missionária – COREAM e atender a todas as convocações episcopais para Concílios Regionais e Ministeriais pastorais.
Celebramos Ceias do Senhor, recebemos novos membros, batizamos muitas crianças, celebramos casamentos e realizamos ofícios fúnebres de pessoas ligadas ao bairro.



Desafios Ministeriais
No ano de 2010, nos vimos envolvidos com uma série de dificuldades para a organização ministerial, e ainda nos vemos. Acontece que, por causa da contingência da vida, nossos ciclos sociais se alteram, às vezes, vertiginosamente. Assim, as pessoas, no afã de organizarem suas vidas pessoais e familiares optam pelo afastamento de suas funções ministeriais junto à Igreja. Assim, muitos ministérios que organizam a vida eclesial tiveram que ser alterados e outros, ainda, precisam ser. Ainda bem que, para a realização da obra de Deus, não é necessário tanta burocracia. Deus age como vento, como pode como quer e onde quer (Conf. João 3), e incita-nos ao contentamento e à alegria. De qualquer forma, não podemos deixar de lado nosso compromisso com a obra, bem como nossa dedicação como membros do Corpo de Cristo e participantes do projeto salvífico de Deus.

O acolhimento aos irmãos de Belém do Pará
Nessas últimas semanas, nossa Igreja se viu envolvida em uma série de acontecimentos inusitados, oriundos de uma ação pastoral marcada pelo abraço e pelo acolhimento ao outro. Recebemos 17 novos membros em nossa Igreja, provenientes da cidade de Belém do Pará; outro estado, outra cultura, outro povo... . Essa ação provocou em todo o cenário metodista nacional uma série de discussões, compreensões e críticas as mais diversas. A partir dessa ação, a Igreja Metodista de Bela Aurora passou a fazer parte da pauta de muitas reflexões, necessárias para o presente momento, em todas as esferas da vida eclesial: local, distrital, regional e nacional.
Toda essa situação nos colocou no “olho do furacão”, por três motivos específicos. Em primeiro lugar, porque essa foi uma ação que nunca dantes acontecera no Brasil, pelo menos, não nessa proporção. Em segundo, porque ferimos alguns princípios do código de ética pastoral, contrapondo-os a outros princípios éticos, tais como amor ao próximo e respeito, que em nossa concepção, respaldam melhor o que pensamos dos legados missionários da Igreja Metodista em terras nacionais. E em último, porque acabamos sendo pechados como uma “Igreja de resistência”. Ora, essa expressão é mal posta, pois não estamos resistindo à coisa alguma. Nós estamos, tão somente, colocando em prática o que aprendemos ao longo de toda a nossa trajetória como metodistas, recriando nossa fé mediante aspectos doutrinários que se tornaram fundamentos para a vida eclesial e sempre estiveram na pauta das melhores discussões conciliares, como: unidade, conexidade, liberdade. O fato é que, neste momento, serei inquirido por uma comissão de disciplina que buscará, pelos caminhos pastorais, uma solução aprazível para o caso. Reitero a todos e todas que acolhi os irmãos e irmãs de Belém por amor a eles e por uma estrita devoção ao Evangelho.

Novas possibilidades
Entretanto, este novo tempo que se apresenta para nós é um tempo de novas possibilidades. Seguimos assim as linhas do que disse Jesus: “o que põe a mão no arado não pode olhar para trás” (Lucas 9. 62). Por isso, precisamos intensificar mais ainda as nossas ações e o nosso compromisso com o Senhor da vida. Nós temos que nos apresentar ao mundo como a possibilidade de nova vida. Aliás, a nossa nova vida precisa ser o elemento crucial que vai ressignificar o contexto no qual estamos inseridos. O nosso cristianismo não pode ser uma estrutura marcada somente pela teoria, mas primordialmente por nosso compromisso. É o nosso compromisso amoroso, melhor dizendo, comprometimento com a obra, que pode mostrar para as pessoas a qualidade de nossa fé, vida e missão. Resumindo: assim como Deus se apresenta a nós, graciosamente, para nos amparar e nos abençoar por exclusiva graça e dedicação voluntária, nós nos colocamos também em dedicação voluntária para com o próximo, para com as pessoas. Isso se dá de duas maneiras: no cotidiano, com nosso tratamento educado e carinhoso junto aos nossos familiares, principalmente, e às pessoas que aparecem vez por outra ou cruzam os nossos caminhos; e na vida congregacional, quando nos reunimos com pessoas que possuem o mesmo paradigma e a mesma utopia que nós. É na vivência comunitária que precisamos nos ater mais com o intuito de celebrarmos a Deus com intensidade de coração e espiritualidade viva. Sobre este aspecto, quero ressaltar o quão importante é congregarmos continuamente e experimentarmos o amor de Deus na comunhão e nos meios de graça. Somente esse amor de Deus pode nos ajudar a melhor compreendermos o outro.

Considerações Pastorais
A partir dessas abordagens, quero ressaltar algumas questões de ordem mais prática, pensando nos anos vindouros e em todas as possibilidades missionárias que advirão, sem excetuar, é claro, os desafios inerentes à nossa jornada.
a. Precisamos recriar nossa vida comunitária, estabelecendo novos princípios relacionais. Ora, somos diferentes e pensamos de forma diferente, mas não podemos, de forma alguma, desrespeitarmos o outro na sua forma de pensar diferente. Somos uma Igreja eclética, formada por adultos, jovens, juvenis e crianças, e como tal, nossas celebrações possuem e possuirão características ecléticas, sem hegemonia de qualquer pensamento, mas com aglutinação das diferenças. Como nos atesta a Escritura: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”. (1 Coríntios 12. 4-6).
b. Trabalharemos na valorização de todas as expressões artísticas que, de uma forma ou de outra, celebram a vida com Deus. Os nossos cultos serão espaços para a louvação através do canto coral, do louvor jovem, das coreografias e de toda e qualquer participação que vise, tão somente, engrandecer o Senhor da vida, segundo a lógica: “Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia”. (Salmo 150. 6).
c. Estudaremos refletidamente e nos posicionaremos contrários a toda e qualquer forma de apologia à teologia da prosperidade. Seremos implacáveis a todo e qualquer movimento que, sob a força da estrutura gospel midiática, visa alienar as pessoas de suas vidas reais. Com respeito e atenção, selecionaremos nossas músicas, nossas expressões artísticas, nossa mensagem, para que o Evangelho seja, realmente, a essência de nosso proceder. “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. [...]. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mateus 7. 15-23).
d. Valorizaremos nossos espaços cúlticos, destinados à oração, ao estudo da palavra e à orientação doutrinária. Aconselhamos que todo membro metodista “belaurorense” deve eleger, no mínimo, dois espaços para a vivência, crescimento e celebração. Não se trata de pressão, mas de evidenciação da qualidade de nosso compromisso com o projeto de salvação do Senhor entre nós. O Plano para a Vida e Missão da Igreja assim expressa: “O Culto deve ser amplamente participativo, em que a comunidade tenha vez e voz; ser inserido no dia a dia da comunidade na qual está localizada; expressar as angústias, lutas, alegrias e esperanças do povo, ofertando-as a Deus”. (Cânones, p. 85).
e. Uma marca vital da Igreja Metodista é a escola dominical. Esse espaço destinado especificamente ao estudo da palavra é elemento de grande fomento de comunhão. Sabemos que, na atualidade, existem muitas formas de acesso ao conhecimento bíblico. São muitas as versões de Bíblias com comentários, existem também muitos comentários escritos por estudiosos da Bíblia e são muitas as informações adquiridas via web. As possibilidades de acesso ao conhecimento em qualquer tempo e momento esvaziaram o espaço da escola dominical. Creio na necessidade de recriação desse espaço para a revitalização da Igreja. Para o PVM, “a Educação Cristã é um processo dinâmico para a transformação, libertação e capacitação da pessoa e comunidade. Ela se dá na caminhada de fé e se desenvolve no confronto da realidade histórica com o Reino de Deus, num comprometimento com a Missão de Deus no mundo, sob a ação do Espírito Santo, que revela Jesus Cristo segundo as Escrituras”. (Cânones, p. 96).
f. Empenharemos nosso compromisso com as pessoas através do discipulado cristão. Entendemos que a IMBA deve se comprometer em espaços para a dinâmica do discipulado, para além dos paradigmas: templo, tempo, culto e pastor. Acreditamos que a emergência de grupos pequenos pode fazer emergir também uma Igreja dinamizada pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo. Os pequenos grupos são uma valorosa herança wesleyana e num contexto atual, marcado por subjetivismos e individualismos, repartir o “pão” nas casas se torna pilar para uma Igreja que se pretende viva.
g. Buscaremos a dialética entre um coração aquecido e uma mente esclarecida. Ora, esses dois aspectos serão panoramas sempre evidentes em nossa temática diária como Igreja. É nos rudimentos de uma teologia wesleyana que encontramos a possibilidade de afirmar que o metodismo não é isso ou aquilo, mas isso e aquilo. O metodismo foi um movimento efervescente na Inglaterra do séc. XVIII, num período marcado pela constituição do império colonial e pela incipiente revolução industrial na Inglaterra. Nesse período, a sociedade sofreu transformações que obrigaram os indivíduos a novas adaptações de vida. Isso gerou desemprego, miséria e desigualdade social. Foi um processo de mutações sociais aceleradas e as mudanças nas vidas das pessoas tornaram-se obrigatórias. Nesse contexto, o metodismo irrompe como movimento libertário com características amplamente sociais e distintas para a época. Segundo Heitzenrater: “Em suas reflexões sobre a origem e crescimento do metodismo, Wesley sempre deu ênfase à espontaneidade de suas origens e à imprevisibilidade de seu desenvolvimento.” Isso implicaria dizer que o metodismo histórico foi um movimento que surgiu e se desenvolveu de maneira imprevisível, ainda que Wesley entendesse que o mesmo “tinha sido levantado por Deus para um propósito específico e apropriado.” A imprevisibilidade do movimento metodista na Inglaterra é marcada pela forma como Wesley faz teologia: no caminho, na vida, mediante os desafios impostos pelo tempo. De qualquer forma, o movimento exerceu um papel fundamental como “pequena igreja dentro da grande igreja”. (Richard Heitzenrater. Wesley e o povo chamado metodista, p. 33). Isso quer dizer que o movimento não se desenvolveu com características divisionistas, ao contrário, possuía o clamor pela renovação e comunhão. É preciso ainda lembrar que o propósito que sempre norteou o metodismo foi: reformar a nação, especialmente a Igreja e espalhar a santidade sobre a face da terra. Então, não há nenhuma possibilidade de se pensar o metodismo em perspectiva originária institucional. É preciso pensá-lo a partir do seu eixo propulsor da renovação como coração aquecido e mente esclarecida.
h. Sem perder o foco de que a salvação se dá por intermédio da graça, nos dedicaremos ao cultivo de práticas espirituais, evidenciando a oração, o jejum e a leitura da palavra como elementos fundamentais da vida devocional cristã. Dessa forma, também cumpriremos nossa missão “realizando o Culto de Deus, pregando a Sua Palavra, ministrando os Sacramentos, promovendo a fraternidade e a disciplina cristãs e proporcionando a seus membros meios para alcançarem uma experiência cristã progressiva, visando o desempenho de seu testemunho e serviço no mundo”. (Cânones, p. 145).
i. Seguiremos o aforismo de Wesley: “Ganhe o máximo que você puder. Economize o máximo que você puder. Dê o máximo que você puder”. Nessa perspectiva evidenciaremos o zelo de dizimarmos e ofertarmos na causa do Senhor, não por coação, constrangimentos ou qualquer outro elemento de ordem violenta, mas de boa vontade, de bom coração. Se pretendemos ser uma Igreja forte, precisamos contribuir conjuntamente nesse propósito.
j. Rogamos a todos(as) para se esforçarem na participação ativa das reuniões da Coordenadoria Local de Ação Missionária – CLAM e dos Concílios Locais. É de fundamental importância a participação dos membros nos processos decisórios da IMBA. Aliás, nesse próximo ano vamos intensificar as reuniões conciliares com o intuito de seguirmos o princípio democrático. Ora, democracia é sempre a ditadura da maioria. Não é a melhor forma de governo, mas a necessária para esse tempo de imposições.
k. Precisamos vencer todo o qualquer processo de partidarismo que porventura detectarmos entre nós. É crucial a participação de todos neste processo de aproximação de ideais com a finalidade de, no possível e quando depender de nós, termos paz com todos os homens.
l. Vamos dinamizar a lógica do sacerdócio universal de todos os crentes, entendendo que o desenvolvimento saudável da Igreja não se dá somente por atuação do pastor ou pastores, mas, primordialmente, por intermédio de cada membro empenhado no serviço cristão e doação ao outro Em minha concepção, a maior herança da Reforma Protestante é a doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes. Ora, tal evidência possibilitou a superação do hiato entre “clero” e “plebe”. Segundo Richard Shaull: “Não pode existir na igreja uma posição mais elevada que a do crente que recebe de Deus o extraordinário Dom de perdão e justificação. Qualquer pessoa que aceita isto pela graça é escolhida por Deus e elevada a uma posição sem igual. Além do mais, não pode existir um chamado mais elevado do que aquele que foi dado a cada crente para transmitir esta mensagem, com sua oferta de vida aos demais e para expressar esta fé em serviço de amor a eles”. (Richard Shaull. Protestantismo e Reforma, p. 45). Essa citação pode ser resumida na lógica de Lutero que afirmava que o cristão é “um Cristo para o outro”. (Idem, p. 46). Isso quer dizer que o cristão, além de conservar atividades de abnegação, humildade e altruísmo, deve se esforçar para desenvolver uma dinâmica de vida fundamentada na prática do amor às pessoas. Tal possibilidade não é privilégio de místicos, ordens religiosas ou segmentos afins, mas de todos(as) que se relacionam com Deus, visando uma expressão mais presente da fé na realidade contingente.
m. Cientes de todos os processos administrativos que envolvem a Igreja Metodista em suas instâncias local, distrital, regional e geral, precisamos trabalhar por uma organização do pensamento que nos ajude a consolidar as ênfases de nossa ação missionária. Somos uma parcela do Corpo de Cristo e precisamos nos desenvolver de forma tal que a maturidade seja a ênfase maior de nossa prática em geral. Somente uma Igreja madura bíblica e doutrinariamente será capaz de enfrentar possíveis e futuros desafios oriundos de mandos e desmandos de líderes autoritários.


Conclusão
Cremos na necessidade de uma renovação espiritual para a nossa comunidade. Uma Igreja não pode ser somente politizada, deve ser também uma comunidade que sinaliza a essência do Reino de Deus com dons e ministérios.
Queridos irmãos e irmãs, o tempo que ora se revela para nós é um tempo de grandes possibilidades. É um tempo de percepção do nosso papel como homens e mulheres no contexto local e nacional. Creio que Deus está nos desafiando a sermos um pequeno castiçal a iluminar rostos e vidas.
Nessa linha de raciocínio: “A única alternativa para que a Igreja se torne, efetivamente, um sinal de vida e esperança, seja pôr em prática a recomendação paulina, incansavelmente repetida por Wesley: ‘ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus’; abraçar a via da kenosis, do autoesvaziamento; renunciar à condição de igreja autoridade-poder, para ser, paradoxalmente, igreja povo-comunhão-serviço. Renúncia ao poder; abdicação de todos os sinais externos que a afastam do convívio com as pessoas comuns; adoção prudencial de estruturas que agilizem a sua comunicação com o tempo presente; enfim, interconexão com todos os órgãos que partilham metas comuns, mesmo que por caminhos diferentes; são passos importantes para que, esvaziada de si mesma, a Igreja seja sinal do amor de Deus”. (José Carlos de Souza. Leiga, Ministerial e Ecumênica, p. 227).
Com essas palavras finais, afirmo que é meu desejo e minha oração que todos vivenciemos tempos novos onde a Graça e o Amor de Deus sejam a tônica maior de todas as nossas ações.
Em Cristo, Senhor da vida,
Moisés Coppe
01/01/11