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sábado, 14 de julho de 2012

Os Dragões são Moinhos de Ventos

Acho que a maioria de nós já ouviu falar da história de Dom Quixote – o cavaleiro da Triste Figura – escrita por Miguel de Cervantes, cujo livro foi editado em janeiro de 1605. De fato, essa é uma importante obra da literatura mundial. A narrativa apresenta os idealismos e alucinações de Alonso Quixano – um fidalgo decadente e o companheirismo de seu vizinho lavrador e fiel escudeiro, Sancho Pança. Dom Quixote, influenciado pelos romances dos cavaleiros andantes, acaba perdendo a razão e sai de sua letargia em busca dos sonhos impossíveis, das conquistas irrealizáveis, das estrelas inalcançáveis, do amor platônico e da paz interior que proporciona o descanso da alma, visando, enfim, um mundo melhor. No início de suas andanças, ele elege uma lavradora chamada Dulcinéia, e, por ela, entra em delírios e luta com monstros imaginários e situações irreais. Uma de suas lutas mais fabulosas é a que retrata a luta de Dom Quixote contra os moinhos de ventos. Na verdade, ele achava que aqueles moinhos eram monstros os mais diversos, e montado em seu cavalo, o Rocinante, parte de forma suntuosa, desferindo golpes aleatórios e se ferindo em sua luta vã. A trajetória de Dom Quixote de La Mancha é um espelho para as nossas atitudes quixotescas no arcabouço da vida. De certa forma, quando comparamos o herói pouco usual de Cervantes com a nossa lida diária, acabamos por descobrir aproximações as mais diversas. Nós somos quixotescos todas as vezes que lutamos contra estruturas as mais diversas ou sofremos por problemas que, na verdade, são bem menores do que os pintamos. Um exemplo bíblico do que estamos apontando se encontra no pré-encontro de Jacó com Esaú, depois de muitos anos de afastamento. Jacó estava receoso em relação ao encontro e esperava, ao final das contas, a sua própria morte. Jacó pintou o “dragão” de forma tal que ele parecia em sua mente bem maior do que realmente era. Qual não foi a sua surpresa quando o seu irmão Esaú, ao invés de mata-lo, como ele esperava, foi ao seu encontro e o abraçou com carinho e muita comoção. De igual modo, o filho da parábola do pai amoroso também foi surpreendido com a atitude do pai. O filho esbanjador esperava a veemente exortação do pai em relação à sua desvairada aventura, mas recebeu o abraço afetuoso. E é assim com todos nós. Muitas das vezes imaginamos dragões, quando na verdade o que temos adiante são, nada mais, nada menos, que moinhos de vento. Então, quando estivermos diante de um problema ou de uma dificuldade aparente, tenhamos calma, oremos e busquemos o discernimento de Deus para as nossas vidas. Eu sei que, enfim, vamos realmente chegar à constatação de que os dragões são, no fundo, no fundo moinhos de vento. Fica a dica.

Um comentário:

Lilian disse...

Oi meu pastor e amigo,

Texto interessante e edificante.Fui abençoada hoje ao ler este texto.Saudades .Beijão, Lilian