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quarta-feira, 7 de março de 2012

Cremos em Deus - Capítulo 3 do livro de Stokes

Chegamos ao terceiro capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas (São Paulo, 1992), de Mack Stokes. É, dos capítulos do livro, o mais difícil de entendimento porque apresenta argumentações mais genéricas a respeito de Deus. Stokes começa afirmando que nós, metodistas, cremos que Deus é o único e verdadeiro fundamento e Senhor do universo. (p. 29). De alguma forma, tudo está permeado pela essência de Deus. Mas, por que cremos em Deus? Para Stokes, cremos em Deus por dois motivos básicos: a herança bíblica que possuímos e porque faz sentido crer em Deus. Ora, o sentido de se crer em Deus está em Ele ser grande o suficiente para se dar a conhecer, mesmo diante da nossa constatação de que jamais saberemos tudo a respeito d’Ele. Posteriormente a essas incipientes argumentações, Stokes vai ampliar suas argumentações sobre por que os metodistas creem em Deus. A primeira razão básica está em que crer em Deus é intuitivamente plausível. Essa razão está ligada ao fato de que todo finito exige o infinito. Em outras palavras, a crença em Deus nasce na nossa intuição de que algo ou alguma coisa nos move na existência. Todo o complexo criado por Deus nos faz intuir que uma força amorosa gestou tudo o que nos é perceptível. A segunda razão básica está que crer em Deus é intrinsecamente razoável. Em outras palavras, para Stokes faz sentido acreditar em Deus. Por exemplo, a evidência do universo físico e das criaturas e o ordenamento do mundo. De alguma forma, “Deus explica tudo aquilo que de outro modo permanece inexplicável”. (p. 32). A terceira razão básica está em que crer em Deus é experimentavelmente confirmável. Tal confirmação se dá pelo fato das pessoas experimentarem a presença e poder de Deus. “As melhores evidências são as vidas dos santos”. (p. 34). A própria Bíblia está cheia de exemplos. Os santos são uma grande multidão. Alguns são conhecidos, outros anônimos. “Mas todos adornam o mundo com a beleza, bondade e triunfo de suas vidas – quase sempre sob as mais difíceis circunstâncias”. (p. 34). Depois de apresentar as três razões básicas, Stokes pergunta: com o que Deus se parece? Em que tipo de Deus acreditamos? Com a finalidade de responder as questões propostas, este autor argumenta: 1. Deus: o supremo espírito pessoal: Deus é espírito, o Alfa e o Ômega (Ap. 1.8). Ora, espírito é o propósito para fazer algo. Não podemos ver a Deus, mas podemos percebê-lo espiritualmente; 2. Deus: a suprema pessoa: Para nós, Deus é a suprema pessoa. Uma pessoa viva. Deus é o Criador e o sustentador do universo. Ora, Deus como pessoa não é limitado como nós. Ele conhece seu universo e identifica seus filhos e filhas, agindo no mundo de forma dinâmica. (p. 37). Conforme João 5.17. 3. Deus: o supremo soberano: Deus é o soberano do universo e a Bíblia não nos deixa esquecer disso. Entretanto, como soberano, Deus não é o controlador e determinador de todas as coisas. Nós não somos fantoches em suas mãos. Somente, um Deus grandioso e soberano poderia criar seres humanos com liberdade. 4. Deus: o supremo amor: Além de Deus ser o supremo poder, Ele é também o supremo amor. Aliás, o poder de Deus é o amor infalível revelado em Jesus Cristo. O significado plenificado do amor de Deus chegou-nos a partir da doação de Jesus morrendo por nós. O amor de Deus em Jesus Cristo é o mesmo dedicado a todo o universo e está “conosco para perdoar, sustentar, capacitar e vencer a morte”. (p. 39). Stokes afirma, finalmente, que “este amor divino é a única base para a esperança, para abertura em relação ao futuro”. (p. 39). Finalmente, Stokes vai abordar em tom conclusivo a ideia de Deus com santa Trindade. Segundo este autor, Deus é três em um. Para ele, isso é um mistério. A bem da verdade, trata-se de um só Deus que se revela a Si mesmo de diferentes maneiras em relação à nossa vida. “Deus é um Ser com pelo menos três diferenciações estruturais dentro de Si”. (p. 39). A primeira diferenciação estrutural é a Deus Pai, ou seja: o Criador e Sustentador do Universo, um Deus com preocupação com toda a criação, incluindo a nós. Deus Filho é o redentor e recriador de nossas almas. Já Deus Espírito Santo é o Deus em nossos corações e mentes, relacionado mais especificamente à missão da igreja. (p. 40). Basicamente, a doutrina da Trindade “especifica as diferenças práticas que Deus faz quando nos abrimos a Ele e depositamos nele a nossa confiança” (p. 40 e 41), nos impulsionando a uma resposta e comprometimento totais ao chamado divino.