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quarta-feira, 28 de março de 2012

Cremos nas Pessoas - Capítulo 6 do livro de Stokes

Este é um capítulo inusitado justamente por apresentar a crença nas pessoas. A sustentação dessa crença se dá na convicção de que Deus plantou uma bondade em cada coração. Ora, não somos bons e nem maus. Todos somos pecadores, entretanto, “nosso pecado só se torna trágico porque somos muito mais que pecadores” (p. 59), somos filhos. Deus nos gravou a sua imagem e semelhança em nossa alma. Assim, pelo nascimento, “Deus colocou sobre nós o seu selo e marca, e nos declarou seus filhos” (p. 59). (Gn 1.27). Stokes na sequencia sugere uma pergunta: as pessoas são realmente importantes? Responde dizendo que apesar da consciência de sua pequenez, o ser humano possui uma dignidade. Apesar das suas fraquezas, tais como imoralidade, ingratidão e malignidade, o ser humano é obra da misericórdia de Deus. (Sl. 8.3-4). Jesus também via o ser humano como uma criatura de valor indiscritível. Sua missão na terra se resumia a “servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mateus 20.28. De fato, a história bíblica é a história de um Deus e seu filho amando a humanidade e se importando com ela. Pelo fato de termos sido criados à imagem de Deus, podemos falar das pessoas como alguém por que Cristo morreu. (1 Co 8.11). Ora, o ser humano é um espírito vivente. Deus criou a pessoa humana à sua imagem no sentido de ser espiritual. Sendo assim, “os melhores a mais sábios homens e mulheres sempre disseram que existe uma diferença entre o bem e o mal. Disseram que há diferença entre o belo e o feio, a verdade e a falsidade, a santidade e a blasfêmia. E insistiram em que somos criaturas dignas justamente porque podemos crescer e nos aventurar nas coisas boas, belas, verdadeiras e santas”. (p. 64). Por que acreditamos na incalculável preciosidade de cada ser humano? Porque a Bíblia ensina que cada pessoa é filha de Deus, com laços misteriosos de um parentesco consigo próprio. “Existem implicações práticas em tudo isso que precisam ser mencionadas. Se aquilo que acreditamos acerca da dignidade e da preciosidade de cada ser humano é importante, então ninguém pode ser avaliado em outras bases que não o amor de Deus revelado em Jesus Cristo. Isto quer dizer que nem raça, cultura, sexo, idade, status nem qualquer outro fator histórico ou humano pode obscurecer o senso do valor supremo das pessoas. Todos são feitos para Deus”.(p. 66). E essa é a razão pela qual nos sentimos chamados a nos envolvermos na interminável luta contra a ignorância, a pobreza, a injustiça e a desumanidade. (Sexto capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).