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terça-feira, 3 de abril de 2012

Cremos na Cruz de Cristo - Cap 7 do livro de Stokes

Segundo Stokes, a cruz de Cristo deve sempre ser analisada em comparação com a nossa preciosidade para Deus e as nossas falhas. A cruz declara ao mesmo tempo nossa importância e nossa necessidade diante de Cristo. Pelo fato de sermos seres religiosos, sempre ansiamos pelo encontro do sentido duradouro em face do pecado e da morte. Essa ânsia demonstra nossa convicção de que fomos feitos para Deus e só se acha descanso n’Ele. Há, em todo ser humano, uma inegável sede de Deus. De fato, todas as coisas que tentam nos preencher frente ao nosso anseio por sentido, falham. Por exemplo, a natureza com suas belezas e suas ameaças não dá conta de preencher o ser humano. De igual modo, nós seres humanos não conseguimos resolver nossos eternos problemas. A história não perdoa nossos pecados e não nos salva. Sendo assim, “perdidos no mundo ao nosso redor, perdidos nos tenebrosos corredores da história, perdidos em nós mesmos, temos sede de Deus”. (p. 69). É nesse ponto, segundo Stokes, que ocorre um elemento estranho: “começamos a compreender que Deus quer falar conosco”. (p. 69). Assim aconteceu com os patriarcas, com Moisés, com os profetas. Entretanto, doutra forma, Deus resolveu falar diferente ao mundo, por intermédio de Jesus, reconciliando o mundo. (2 Coríntios 5.19). “A reconciliação está bem no centro do cristianismo”. (p. 70). Diante dessas argumentações, Stokes faz a seguinte pergunta: Qual é o significado da cruz? E afirma que a igreja cristã nunca conseguiu dar um significado para essa questão. Segundo este mesmo autor, nós, metodistas, identificamos o significado da cruz em seis fatos redentores: 1. A iniciativa divina: Deus, em Cristo, toma a iniciativa de amar-nos. Através da cruz, compreendemos que Deus nos vê primeiro. Como bem atesta Romanos 5.8: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. 2. Deus leva o pecado a sério: Quando elevamos os olhos para Cristo crucificado, percebemos a natureza terrível das nossas falhas. Dessa forma, somos convidados ao arrependimento que nos move, novamente, em direção a Deus. 3. Somente Deus pode salvar: Somente Deus tem o poder de perdoar pecados e salvar da morte. “A cruz significa que Deus penetrou na nossa humanidade para fazer por nós aquilo que nós não pudemos fazer por nós mesmos”. (p. 71). Resta-nos, portanto, somente colocar nossa vida em confiança perante Deus. 4. Não há limites para o amor de Deus: Deus faz qualquer coisa por nós. Ora, a cruz proclama que Deus não reteve nada de si, inclusive doando seu filho pelo mundo. A cruz é o “sinal eterno da infalível prontidão do Pai para nos perdoar e nos unir a Ele”. (p. 71). 5. Deus sofre para dar a vida: a cruz é o preço da nossa salvação mediante o sofrimento de Deus. De fato, Deus tomou sobre si o sofrimento da humanidade com o propósito de elevá-la. “Ele sabia que a vida não era assim tão simples. Havia feridas a serem curadas, pessoas tristes a serem confortadas, pecadores a serem perdoados e temores a serem vencidos”. (p. 72). Assim, a cruz é o símbolo desse amor perfeito, altruísta e sofredor de Deus por nós. 6. A cruz: ontem, hoje e sempre: Deus foi, é e sempre será revelado ao mundo através da cruz de Cristo. Sempre que o pecado e a tristeza florescem a crucificação é, de alguma forma, reencenada para que nos aproximemos de Deus em santa comunhão. E finalmente, Stokes considera que a cruz se alinha ao sacramento da Santa Ceia. “Na sua celebração, metodistas se reúnem em volta da mesa do Senhor para relembrar o que Jesus fez na cruz”. (p. 73). A Ceia do Senhor é uma ocasião de profundo significado onde vem a nossa memória o agir de Deus em nosso favor para nos redimir e nos refazer o viver criativo. De fato, nós metodistas acreditamos na cruz! (Sétimo capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).