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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sigo as Pegadas do Mestre

Sigo as pegadas do Mestre, impressas em passos largos que rumam para a justiça. Que anseiam pela liberdade. Que demarcam a jornada. Que definem os sentimentos. Que alimentam a esperança. Sigo as pegadas do Mestre, pegadas de humildade. De orgulho quebrado e ferido. De alma decantada. De ambição espalhada ao chão. De negação do mundo. Sigo as pegadas do Mestre que me mostram a simplicidade. O viver num casebre simplório. A lagoa serena em meio a mata densa. O canto da ave ferida.
Sigo as pegadas do Mestre, da busca silenciosa da presença divina. Da adoração genuína marcada pelo coração quebrantado. Da oração no quarto escuro. Da visibilidade de um espírito compungido. Sigo as pegadas do Mestre que confiam na graça e na misericórdia. Que ama a Deus de forma sincera. Que odeia defraudar o próximo. Que espera um mundo melhor e mais humano. Que requer a encarnação da espiritualidade e a espiritualidade da encarnação. Sigo as pegadas do Mestre mesmo quando elas estão apagadas pelo tempo. Ou varridas pelas torrentes de águas. Fugidias frente às chuvas de verão. Sigo as pegadas do Mestre que me ensinam a orar não com as palavras, mas com os gestos. Que me mostram que a moeda é de César e as pessoas são de Deus. Que dá sentido ao sorriso amistoso e a lágrima da noite mal dormida. Sigo as pegadas do Mestre que me fazem aguardar com esperança, o arco-íris depois da chuva dantesca, dos ventos fortes do sul e do languido estado do ser. Sigo as pegadas do Mestre que trazem o sorrir das crianças, o canto dos passarinhos, o perfume das flores do campo, o hálito da neblina no monte, o sabor da fruta silvestre e o aroma do vinho e suas castas. Sigo, enfim, as pegadas do Mestre que me levam daqui pra acolá, do nada pro tempo sem fim, do cronos para o kairós, do rio para o alto mar, da dor lancinante para o frescor da hortelã e da morte para a vida.