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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Importância do Perdão

A vida cristã possui suas peculiaridades e desafios. Um dos maiores refere-se ao ato de dar e receber perdão. Quando avaliamos os textos sagrados, chegamos à nítida conclusão que a maioria das referências tem a ver com a questão do perdão. O simples aspecto basilar que concerne à conversão nasce, necessariamente, da atitude graciosa e perdoadora de Deus para conosco. Deus é, indubitavelmente, um Deus que perdoa e esquece. Ora, o perdão de Deus para conosco é fruto da graça maravilhosa que acolhe e abraça todo o nosso planeta. Deus não nos vê a partir dos nossos delitos e pecados. Ele nos percebe a partir de Cristo. Então, é por intermédio de Jesus Cristo que o perdão de Deus nos chega maviosamente. Entretanto, para que Deus nos veja em Jesus, torna-se necessário também o auto reconhecimento de nossa realidade de vida. Se me enxergo a partir do prisma da humildade e me reconheço tal como sou, então posso olhar para Cristo e percebê-lo superior a mim mesmo. Dessa forma, destaco minha total e irrestrita dependência dele e me lanço à sua misericórdia. Somente com essa atitude de entrega total é que posso entender as minhas carências, e assim, consequentemente, afirmar que não sou em coisa alguma, superior aos outros. Aliás, a Bíblia deflagra que temos que considerar os outros superiores a nós mesmos. Segundo Thomas à Kempis, um místico do século XV que muito influenciou a vida piedosa de John Wesley, “você precisa aprender a quebrar seu próprio eu em muitas coisas, se quer ter paz e concórdia com outros (Gl 6.1). Não é fácil residir em comunidades religiosas ou em uma congregação, conversar ali sem reclamação e perseverar ali fielmente, até a morte (Lc 16.10). Bem-aventurado é aquele que já viveu bem lá, e terminou bem”. (KEMPIS, A Imitação de Cristo, p. 36). Ora, o que Kempis evidencia é que não é fácil ter paz e concórdia com todas as pessoas, mas é preciso terminar bem essa jornada espiritual. Daí, podemos considerar que é nas discórdias e inquietações relacionais que surgem as más resoluções do amor, gerando a ansiedade, o ressentimento, o rancor e finalmente o ódio. Todos esses elementos obstruem, de forma evidente, a ação do perdão na zona das emoções humanas. É preciso evidenciar que no que se refere ao perdão, não temos opções. É, entre outras, uma esfera da vida espiritual que necessita de radicalidade. O evangelho de Mateus apresenta-nos a oração do Pai Nosso e sua ênfase na expressão: “Perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores”. Essa parte da oração é tão importante que mereceu um comentário do evangelista. E Mateus corrobora: “Se vós não perdoardes aos homens os seus pecados, tampouco vosso Pai celeste perdoará os vossos pecados”. Mt 6. 15. Portanto, é preciso considerar que o grande “nó” da vida cristã está justamente na perspectiva do dar e receber perdão. Somos desafiados a essa ação de forma tal a provocarmos liberdade. Não há dúvida de que dar ou receber perdão não é tarefa fácil. É por isso que, diante desse desafio, precisamos contar com a ajuda de Jesus. Diante do grau de dificuldade para dar e receber perdão, somente Jesus pode provocar a reconciliação, e isso por intermédio da Graça de Deus.