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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Reconsagrando a vida a Deus

Destino essa reflexão a todas as pessoas que desejam, de uma forma direta ou indireta, reconsagrar a vida ao Senhor, Deus da graça. Eu entendo que, em nossa lida cotidiana, muitas vezes deixamos de refletir sobre os valores fundamentais de nossa vivência no campo da espiritualidade. Sendo assim, uma parada reflexiva é sempre um tempo de “zerar as contas” e vislumbrar uma nova oportunidade. Aliás, se pensarmos bem, nossa vida é marcada por ciclos e recomeços. Anos, meses, dias, demarcam nossa nova sempre entrada no campo das novas possibilidades e recomeços. Eis aqui uma chance para a renovação de nossa espiritualidade e reconsagração. Ora, por espiritualidade, compreendemos inicialmente a capacidade do ser humano de estar para além do mundo, do corpo e do tempo. (BOFF e BETTO. Mística e espiritualidade, 49). Isso quer dizer que sempre estamos diante de algo diferente e inusitado, com o qual nos relacionamos. É a experiência com Deus. No caso da fé cristã, esse algo diferente e inusitado está centrado na vida e missão de Jesus Cristo. Sendo assim, nossa perspectiva de fé é profundamente marcada pela presença graciosa e amorosa de Cristo em nós. Já a reconsagração tem a ver com a renovação da nossa dedicação a Deus por intermédio de nossa doação irrestrita de dons, talentos e algo mais. Pensando em tudo isso, resolvi dialogar com o autor de Hebreus, mais especificamente, sobre o que ele escreve no capítulo 12. É que aparece neste texto uma espécie de resumo fundamental para a boa resolução da espiritualidade cristã. Este texto reúne elementos que podem gerar a transformação de nossa vivência em Cristo, bem como a reconsagração de nossa vida ao Senhor. Hebreus A carta de Hebreus é um escrito atípico do Novo Testamento. Ela reúne os aspectos litúrgicos levíticos da cultura israelita e a nova vida/ novo caminho revelados em Jesus. Não sabemos quem foi o autor da carta. Um dos pais da igreja chamado Tertuliano atribuiu-a a Barnabé. Na região de Alexandria, a atribuição foi dada a Paulo. Já Lutero apostou que a autoria da carta seria de Apolo, por causa da referência expressa em Atos 18.24-28. O que sabemos, com certa convicção é que as pessoas dessa comunidade conheciam a Timóteo (13.23) e estavam juntas e efetuavam uma missão difícil, complexa e diferenciada no arcabouço da sociedade judaica. A carta, portanto, foi escrita a este grupo definido de leitores. A questão de fundo O autor de Hebreus tem diante de si um problema específico. De alguma forma, todos os judeus convertidos ao cristianismo assim se fizeram por causa das promessas vívidas da mensagem portada pelos discípulos e discípulas. Era o anúncio de um novo tempo que havia se originado em Jesus. Entretanto, os zelosos aderentes do judaísmo ficaram desapontados com o cristianismo justamente pela ausência de um reino visível. Esse é o motivo pelo qual muitos deixam a vida em comunidade, passando a viver de acordo com os princípios da antiga tradição. Assim, o autor de Hebreus se preocupa terminantemente em ressaltar a absoluta doação de Jesus em prol do mundo. A princípio, segundo William Barclay, o autor de Hebreus neste texto afirma três coisas sobre Jesus: 1. Que Jesus é o caminho vivo para a presença de Deus – quando se vê o sangue e o corpo rasgado, percebe-se também o que de divino há em Jesus; 2. Que Jesus é o sumo sacerdote de Deus, sobre a casa de Deus (mundo) e no céu – isso nos põe na presença de Deus; 3. Que Jesus é o que realmente pode purificar as gentes. Todas essas afirmações determinam aplicações muito evidentes para os que vivem a fé cristã e convocam os crentes a uma reconsagração. São elas: a. Guardar firme a confissão da esperança – o ditado popular afirma que “a esperança é a última que morre”. No arcabouço de nossa dinâmica de vida, é de suma importância que expressemos nossa esperança de que tempos melhores virão. b. Considerarmo-nos uns aos outros – a vida em comunidade exige de todos nós a dedicação ao outro. Pessoa alguma pode viver de forma solitária. Aliás, nós somente nos encontramos conosco quando temos a oportunidade de nos encontrarmos com o outro, nosso semelhante. c. Render um culto comunitário – o terceiro elemento é uma convocação à vivência comunitária. Pessoa alguma pode dizer que vive com Deus sem uma vivência em comunidade. A vivência em comunidade nos ajuda a melhor nos compreendermos como cristãos. Um se torna referencial para o outro. As cargas são partilhadas e a possibilidade de uma espiritualidade renovada ocorre de forma singular. Então, diante dessas sucintas considerações pastorais, desafiamos todas as pessoas a evidenciarem a confissão da esperança, a cuidarem uns dos outros e a vivenciarem a vida em comunidade, num movimento de completa reconsagração, sempre. Caminhemos assim, o Senhor nos ajudando.